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Palestra destaca uso sustentável do eucalipto e bambu na construção civil

No Brasil, por ano, são gastos 35 milhões de toneladas de cimento. Além de cara, a matéria-prima, oriunda da rocha, é limitada. Como produtos alternativos para a construção civil, a professora da Faculdade Católica Sílvia Kondo Ramos apresentou, na manhã desta sexta-feira, dia 10, os benefícios do eucalipto e bambu como fonte de matéria-prima. A palestra foi proferida para estudantes e profissionais do ramo da construção, durante a Agrotins – Feira de Tecnologia Agropecuária, que segue até este sábado, dia 11, no Centro Agrotecnológico de Palmas, na TO-050.

A palestrante falou que há um preconceito cultural no Brasil pelo uso da madeira, já que a maioria das pessoas liga o produto à baixa renda. A origem da colonização brasileira também interfere na preferência nacional, disse ela.

Usado para a produção de papel e celulose, lenha e carvão vegetal, o eucalipto também pode ser bem aceito na construção civil. “O eucalipto, com tratamento ideal, você pode aplicar na construção civil sem medo”, disse a palestrante, acrescentando que dentre as demais vantagens estão o preço reduzido, o plantio e manejo sustentável, crescimento rápido e boa aparência. “Onde você achará madeira para plantio e corte no prazo de seis a oito anos? Só o eucalipto oferece isso”, disse, acrescentando que é um mito a informação de que o plantio de eucalipto interfere na disponibilidade de recursos hídricos no solo.  Silvia falou ainda que o crescimento da silvicultura observado no Tocantins, aliado à pecuária, tem favorecido os sistemas de silvipastoris integrados.

Sobre o bambu, a professora destacou a redução de custos em até 60% com uso deste material.  “Bonito e renovável, o bambu tem tudo para ser a madeira do século 21 e contribuir para uma arquitetura mais sustentável. De frágil, ele não tem nada, pois  é muito resistente. A  durabilidade é superior a 40 anos”, disse.

As versatilidades do bambu aos poucos vêm caindo nas graças dos ocidentais, atingindo a Colômbia, Equador, Estados Unidos e Brasil. A madeira já é utilizada há muitos séculos no oriente, como Japão. Pesquisas brasileiras também estão ocorrendo para analisar a viabilidade do produto e introduzir  o bambu junto à agricultura familiar. “Para começar a mudar a cultura, tem que colocar na cabeça do engenheiro civil porque tem que usar o bambu, e na cabeça do agrônomo o motivo de se plantar bambu”, destacou Silvia. Além do madeiramento para o telhado, o bambu é usado também para a produção de telhas. “Uma planta de bambu leva 60 anos para produzir sementes, mas é possível se replantar através de mudas”, ensinou.